Saúde mental na emigração

Saudade que pesa: quando a emigração afeta a saúde mental

HICOA · Clínica de Saúde Mental — Apoio psicológico online em português, para portugueses no estrangeiro

A saudade é, talvez, a palavra mais portuguesa que existe — e quem emigra conhece-a numa intensidade que quem fica raramente imagina. Sentir falta da família, dos amigos, dos cheiros, da comida, dos domingos: tudo isso é normal e esperado. A saudade, em si, não é um problema de saúde mental. É uma resposta humana e saudável à distância de quem e do que amamos.

Mas há um ponto em que a saudade deixa de ser uma visita ocasional e passa a ser uma presença constante. E quando isso acontece, pode tornar-se a porta de entrada para algo mais sério — tristeza persistente, isolamento, ansiedade, ou aquilo a que alguns investigadores chamam o "luto migratório": o processo de perda associado a tudo o que se deixou para trás.

O que é o luto migratório?

Quem emigra não perde apenas a proximidade física com as pessoas. Perde também, em diferentes graus, a língua do dia a dia, o estatuto social que tinha, a rede de apoio, a identidade construída ao longo de anos e a sensação de pertença. É uma perda múltipla e, ao contrário de outros lutos, ambígua — porque aquilo que se perdeu continua a existir, apenas longe.

Este luto não vivido pode manifestar-se de formas que nem sempre associamos à emigração: irritabilidade, cansaço constante, dificuldade em dormir, perda de interesse pelas coisas, sensação de vazio ou de estar "em pausa" à espera de um regresso que se vai adiando.

Sinais de que a saudade se pode estar a transformar noutra coisa

Se vários destes sinais lhe são familiares e persistem há semanas ou meses, não é fraqueza nem falta de gratidão pela vida que construiu — é um sinal de que algo precisa de atenção e cuidado.

Porque é que falar na sua língua faz diferença

Muitos portugueses no estrangeiro adiam procurar ajuda psicológica por uma razão muito concreta: a língua. Mesmo quem domina bem o francês, o alemão ou o inglês sente que, ao falar das emoções mais profundas, algo se perde na tradução. E perde-se mesmo: as memórias e as emoções formaram-se em português, e é em português que se acedem com mais verdade.

Há ainda o contexto cultural. Explicar a um terapeuta estrangeiro o que é a saudade, o peso das expectativas da família, ou a relação tão portuguesa com o "que dirão" exige um esforço de tradução cultural que, com um psicólogo português, simplesmente não é necessário.

O que pode fazer já hoje

Manter rituais que liguem os dois mundos (sem viver agarrado ao telemóvel), criar raízes reais no país onde vive, dar nome ao que sente em vez de o desvalorizar com um "é só saudade", e — sobretudo — não esperar que passe sozinho quando já dura há demasiado tempo. O acompanhamento psicológico online veio eliminar a última barreira: hoje é possível fazer terapia em português europeu a partir de qualquer país, com horários ajustados ao seu fuso horário.

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A HICOA realiza consultas de psicologia e hipnoterapia online, em português europeu, para portugueses em qualquer parte do mundo. O primeiro contacto é sem compromisso.

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