Voltar ou ficar: o peso emocional da decisão de regressar a Portugal
Poucas decisões pesam tanto na vida de um emigrante como a de regressar. Para muitos, o regresso foi sempre o plano — "fico uns anos, junto algum dinheiro, e volto". Para outros, foi-se adiando até deixar de ser certo. E há ainda quem nunca pensou voltar, até que algo muda: os pais envelhecem, os filhos crescem, a saudade aperta, ou simplesmente a vida lá fora deixa de fazer o sentido que fazia.
Uma decisão que raramente é só racional
Quando se pensa em regressar, fazem-se contas: salários, custo de vida, escola dos filhos, carreira, casa. Mas a decisão de voltar — ou de ficar — vive sobretudo num plano emocional, e é aí que se torna difícil. Porque tanto ficar como voltar implicam uma perda. Quem fica, perde a proximidade de Portugal. Quem volta, perde a vida que construiu lá fora, muitas vezes ao longo de anos.
O regresso que não corre como imaginado
Há um fenómeno de que poucos falam: o choque do regresso. Muitos emigrantes idealizam Portugal durante anos — e quando voltam, encontram um país que mudou, amizades que seguiram em frente, um mercado de trabalho diferente, e uma sensação inesperada de não pertencer totalmente nem aqui nem lá. A este "luto do regresso" chama-se, por vezes, choque cultural inverso: sentir-se estrangeiro na própria terra. Saber que isto é possível, e normal, ajuda a preparar o regresso com expectativas mais realistas.
Perguntas que ajudam a clarificar
- O que é que me puxa para voltar — um desejo de algo, ou uma fuga de algo?
- Estou a decidir a partir da minha vida real, ou de uma imagem idealizada de Portugal?
- Esta decisão é minha, ou estou a carregar as expectativas dos outros (família, cônjuge, filhos)?
- Se ficar mais cinco anos, do que é que me vou arrepender? E se voltar já?
Decidir com acompanhamento
Falar destas questões com um profissional neutro — que não tem interesse na decisão, ao contrário da família — ajuda a separar o que é desejo do que é medo, e a chegar a uma escolha que consiga sustentar sem arrependimento. Seja qual for o caminho. A HICOA acompanha este processo de decisão em consultas online, em português, esteja onde estiver no mundo.
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